20/06/2009...23:39

Para não passar vergonha

Ir para os Comentários

Reunimos algumas dicas de comportamento para a hora da sua entrevista com os empregadores de Work Experience.

Vá de roupa social:

Meninos, desenterrem o terno daquele casamento de séculos atrás. Meninas, acostumem-se, pelo menos por algumas horas, a usar a calça do seu terninho com o cós acima do umbigo (a tortura dura pouco e vale a pena). Não importa para que vaga você esteja se candidatando. Claro que sabemos que como babá ou vendedor de lojinha de souvenir você jamais terá um uniforme de dia-a-dia tão chique. Aliás, provavelmente seu uniforme será horrível, deixará seu corpo deformado e te fará ter vergonha de por o nariz para fora de casa. Você se acostuma quando vê que não é o único. Mas, voltando à questão da roupa social, para o entrevistador você parecerá mais sério e comprometido assim. Mesmo que você seja o último dos fanfas, acredite no poder de uma gravatinha ou um scarpin.

Não exagere na maquiagem e nem em acessórios:

Essa é para meninas. Mas, se algum menino se sentir atingido por tal dica, ok, não tem problema não. Lembra da velha história de que o que é comum no seu país pode não ser em outros? O último Fashion Week pode ter mostrado que a nova tendência para o Outono/Inverno são as boinas fluorescentes com ares do vestuário motociclista, através de tachinhas e espinhos de metal. Isso não significa que você pode usá-la. Poder até pode, mas não se você quiser um trabalho nos EUA. Nessas horas, a neutralidade é sempre bem-vinda.

Aparente limpeza:

Na verdade a dica deveria ser “Seja limpo”. Mas ninguém está aqui para mudar hábito de ninguém. Se mamãe não ensinou, não seremos nós que o faremos. Unhas feitas, com esmalte clarinho para as meninas e bem curtinhas e limpas para os meninos; cabelos impecáveis, sem nenhum sinal de crosta oleosa (atenção simpatizantes do grunge!); roupas lavadinhas, de preferência com cheirinho de amaciante Fofo. Essa e a maioria das dicas sempre me pareceram ridículas até o dia em que fiz algumas entrevista para WE. Acredite: tem gente sem noção que precisa ouvir isso.

Demonstre tranqüilidade e seja sorridente:

Se o empregador sente que você com uma simples entrevista fica nervoso, o que dirá quando ouvir coisas do tipo “Alerta de tornado”, “Possibilidade de avalanche”, “Eu quero meu dinheiro de volta!Vou chamar a polícia” (em um tom nada gentil, onde cada vírgula e ponto final da frase do cliente vira um %#$@*%#!). Candidatos tranqüilos e sorridentes passam confiança de que podem enfrentar qualquer situação sem cair no desespero.

Nunca fale mal do seu país:

Se te perguntarem algo do Brasil, jamais mencione corrupção, traficantes, pobreza, favelas e assaltos. Por mais que estes sejam os únicos sinônimos que você encontre para o seu país. Geralmente as posições de trabalho envolvem lidar com o público, que fica louco quando vê preso na sua camiseta uma plaquinha com seu nome e “Brasil” embaixo dele. Sem dúvida, quando isso acontecer, você deverá ignorar os “ola, que tal?” com um decadente espanhol. Você sorrirá e explicará que o idioma do seu país é o português e terá que contar belas (eu disse BELAS) histórias do Brasil.

Já deu para sacar porque você não pode falar mal do Brasil na sua entrevista? Se você falar mal na entrevista, falará mal durante o trabalho. Nenhuma empresa quer que o turista escute histórias aterrorizantes no momento de aquisição dos seus serviços ou produtos. Ela não quer que o viajante associe experiências ruins a sua marca.

Dê boas razões pelo seu querer trabalhar lá, quando questionado:

“Ah, por que eu sempre quis esquiar!Meu sonho de infância”, “Porque eu quero fazer turismo barato”, “Porque eu quero dar um jeito de entrar nos EUA sem ter que ser nadando e atravessando o deserto ilegalmente”, “Porque eu quero comprar meu Nike Shox por 50 dólares! Aqui é 500 reais!”, “Porque uns amigos meus foram e me falaram que é maior zoeira, bebedeira, festas o tempo todo nos alojamentos”… Essas não são boas respostas para aquela famosa pergunta “por que você quer trabalhar aqui conosco?”, por mais que sejam verdades. Nesse momento, aquele blá blá blá de expandir os horizontes, conhecer novas culturas e praticar o inglês ainda são respostas ideais.

1 Comentário


Deixar uma Resposta