Duas ruas com o mesmo objetivo podem ter perfis completamente opostos? Mude de capital que sim.
São Paulo tem a 25 de março. O Rio de Janeiro o Saara. Quem olha uma descrição de uma agência de turismo qualquer sobre as duas ruas provavelmente vai achar que são a mesma coisa: as duas vendem bagulho e quinquilharias das mais diversas. Nas datas festivas isso fica mais evidente. Papais Noel que dançam, cantam, sapateiam e que só faltam fritar as rabanadas do Natal; corações de pelúcia vagabunda (experimenta lavar aquilo! Duas rodadas na máquina de lavar e lá se vai a letra “L” de “Love you”) no dia dos namorados; ovos de páscoa com gosto de gordura hidrogenada para a Páscoa; e infinitos etc. de coisas duvidosas, mas saudáveis para o bolso.
Um olhar (ou um ouvido, olfato, paladar…) mais atento consegue ver muito mais do que essas igualdades e com certeza se diverte com as diferenças locais.
É estranho para um carioca ouvir de fundo musical de um lugar mais popular o tal “sertanejo universitário”. Os ouvidos dele geralmente estão acostumados com as rimas musicais “chão e popozão”. O catálogo de cds piratas são completamente diferentes. E a apresentação deles também. Em sampa há uma espécie de carrinho com uma caixa de som que ajuda quando o rapa aparece. No Rio, tudo fica estendido num pano, que prontamente vira uma sacola para correr do choque de ordem. Para testar as mídias, um mini-dvd portátil ligado por um gato no poste.
Depois da longa caminhada na 25, hora do lanche. E por um momento me perguntei como é que as pessoas conseguem comer o tal Gregão: uma carne gigante que roda em uma grelha ao ar livre. Mas aí lembrei dos salgados “superconfiáveis” com caldo de cana dos orientais do Saara. Quem se arrisca em um, certamente pode cair de boca no outro.
Mas definitivamente o que chama mais atenção são as pessoas. Elas são diferentes na linguagem corporal, na forma de anunciar um produto gritando, na forma de se vestir para ir nesses centros populares.
Em São Paulo todo mundo anda mais alinhado, mesmo na 25 de março. Mas eles têm as baixas temperaturas ao seu favor. No Saara, o calor faz de uniforme a ausência da camisa. Em São Paulo, você ouve um ambulante anunciar que um produto não é “osso”, quando você supostamente pode confiar na qualidade dele. No Rio, outros adjetivos são puxados pelo “s” que só um carioca tem.
Definitivamente elas são diferentes.